segunda-feira, fevereiro 04, 2008
sábado, janeiro 05, 2008
Na minha...
Na minha iniquidade
Vale a Tua misericórdia.
Senhor,
Na minha egolatria
Vale a tua humildade.
Senhor,
Na minha pequenez
Vale a tua mão auxiliadora.
Senhor,
Na minha tristeza
Vale a alegria da oração.
Senhor,
Na minha desconfiança
Vale a serenidade da alma.
Senhor,
Na minha avareza
Vale despir-me de mim.
Senhor,
No meu apego
Vale despojar-me de tudo.
Senhor,
No meu desejo
Vale revestir-me de Amor.
Tu vales sempre: ontem, hoje e amanhã.
Pai de bondade e amor,
Para com o mundo e para com todos.
Te dou graças. Ámen.
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segunda-feira, novembro 05, 2007
Oração ao Pai-Rosto

Senhor,
Quando o meu querer
Em Ti não se transformar,
Quando o meu ouvir
Em Ti não se escutar,
Quando o meu viver
Em Ti nada seja presente,
Quando o meu olhar
Em ti nada tenha,
Quando o meu rezar
Em Ti não se expressar,
Que caia a lágrima da conversão
Sobre mim e me faça caminhar
Até Ti, para Ti e Contigo!
Que te reconheça sempre como meu Pai,
De quem o Amor nasceu e vive;
E pela vida me oferecestes ao mundo
Para ser sinal da confiança,
da esperança e do Amor!
Que só de Ti tem sentido!
(11 Outubro 07)
Mãos vazias

Não há tempo que negue
Quantas vezes perdi
O sentido da minha Fé!
Não há tempo que negue
Quantas vezes me senti aniquilado
Por não dar resposta aos teus sinais.
Não há tempo que negue
Quantas vezes viajei
Sem pensar realmente em Ti!
Não há tempo que negue
Quantas vezes menti ao meu coração
Para esconder-me da vergonha que tinha!
Foram tempos de mãos vazias,
Foram tempos sem dor e amor,
Foram tempos sem alegrias,
Foram tempos esquecidos de louvor!
Não há tempo que negue
Quantas vezes quis
Perder-me noutros mundos.
Não há tempo que negue
Quantas vezes me mutilei
De forma egoísta e presunçosa.
Não há tempo que negue
Quantas vezes caí
No abismo e solidão, na carência e desespero!
Só Tu, com o sinal da Unção
Vais agora ungindo o meu coração
Colocando sobre as minhas mãos
A dádiva da tua compaixão.
sábado, setembro 01, 2007
“Inabalável Amor a Deus”
Que tempestades podem abalar
O tão profundo e sublime
Amor a Deus?
Que horizontes nos refugiam
Para sermos cacos desunidos
Na compaixão a Deus?
Que remos podem conduzir
À maré e sentido
De quem ama?
Que guerras e lutas infindáveis
Se nada se enche de Amor
À pura cruz de Cristo?
Que buscas no caminho
Onde as pedras doem e são
Semelhantes aos pregos cravados?
Que Amor tão forte e belo
Tão triste e enternecido
A quem tudo devemos!
Os sentimentos na responsabilidade!
Haveria muito por onde começar. O que ouço, leio e vejo? Talvez seja pouco, mas gostaria de partilhar estes sentimentos que nos tocam quando o objectivo é ser responsável. No dia-a-dia enfrentamos e lidamos com situações de “bradar aos céus”, não estamos imunes a elas, mas custa aceitar que a maturidade não reflicta a responsabilidade, ou será que a responsabilidade não está relacionada com a maturidade? Gostaria de acreditar que elas caminhavam juntas, e ainda acredito que sim. Tenho aprendido que por mais que muitos se esforcem para provar que no meio disto tudo está a mãozinha de Deus, deixamos de dedicar o nosso ser a um serviço simples, e essa simplicidade surge na responsabilidade: o dar, estar, presenciar, acolher, viver, ser, querer, apreender, cumprir, correr, saltar e sobretudo amar. Quando estamos zangados, alegres, tristes, até doentes… saem de nós muitos sentimentos (“sinto-me…”), mas quando agimos de forma responsável que sentimento terá. Será a responsabilidade um sentimento? Mais do que uma descrição, é uma reflexão onde se vê na responsabilidade uma forma de dar resposta a tudo que se pensa, se articula e concretiza, e de forma edificativa manifestar o amor aos e pelos outros; partindo daqui alcançaremos a máxima de Deus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos Amei!”.
Uma mente sedenta
Dos cheiros das flores
Quem semeia rebenta
O pólen dos amores
Uma paz reluzente
Sem medos, sonhar
Quem sofre, mente
Cem quereres, ocultar.
Há margens, marcas e imagens
Em segredos viajares
Por selos e rótulos, água do mar.
Há pedaços secretos, cheiros amar
Sem forças fracas
Por quedas de rios, querer olhar!
miragens
Encontrei alguém
E bem longe, era certo,
Sentado além.
Eu queria, estava perto
Ali, o notei.
Não era concreto,
Mas procurando
Vi o seu sinal.
O sinal de Deus aqui,
O sinal de Deus em ti,
Acorda, desperta…
e deixa o teu coração,
dando-Lhe a mão.
No Senhor
Algo mais do que eu sou
Eu o vi, mas não o achei,
Em mim o seu olhar.
Ao Senhor, ao Senhor
Eu aqui estou
Dá-me força,
Dá-me, dá-me…
Eu quero ser só Teu.
Com Jesus eu caminhei
Sentia o que não via
Eu o escutei, mas não percebia
Em mim o seu amor.
Em Cristo eu amei
Sofri pelo que não pensava
Acompanhei-O, mas não temia
Em mim a sua dor.
notas de um caminho...
α Se o Homem julga saber de tudo, engana-se quem pensa não saber nada.
Compaixão
A forma de alcançar essa viagem magnífica até Deus compassivo é a existência do ser humano compassivo, que pela compaixão tem a virtude de discernir, de ver a medida certa e distinguir o que é bem e mal. Mais importante é estar ligado a Deus misericordioso, que nos faz perceber que por Cristo a paixão ganhou outro sentido. Um sentido de promessa e de rigor, louvando ao saudável amor que se vivifica na presença divina e terrena – o eco-espiritual.
sexta-feira, julho 27, 2007
Crescer
Sem medo esperar, algo mais e Deus ter.
Crescer para sonhar, sem querer sofrer
Sem receio de mudar, algo mais e Deus ser.
Crescer para perder, sem querer chorar
Sem fogo de semear, algo mais e Deus ver.
Crescer para acordar, sem querer cair
Sem pedaço final, algo mais e Deus dizer!
terça-feira, março 20, 2007
O tempo que afoga
O tempo que afoga os minutos
Faz decrescer o segundos,
E em tudo rema aos excertos ,
Pedaços não pouco perdoados.
O tempo que afoga os segundos
Nos instantes sem medo.
Saber quem no segredo
Conta para além dos dedos.
O tempo que afoga as horas
Não acalma nem distorce
Tempestades fora, ou bonanças
Aparentes, cortes de uma foice.
O tempo que derrama tempo
Não é mais que o tempo
Que foge ao seu próprio tempo
De sentir e viver o momento.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
o sabor da chuva
Ontem choveu bem... Luanda se enchia de água nas ruas e demais buracos que existissem.
Eu saboreei a água, a sua queda e a sua força. Apesar de preocupado, sabia-me bem.
As ruas iam se enchendo de lagoas com leves ondas. De vez em quando, lá ia um pezito para um banho. À noite, aqui na Paróquia, foi uma grande festa... sabem para quem? para os meninos de risco que por aqui perto moram. A alegria deles era imensa... aproveitavam todos os locais de queda de água, tubagens, para sentirem o peso das cascatas pequenas... Saltavam, pulavam, brincavam, e aproveitavam para ter um banho bem fresco. O pátio da casa, coberto por um manto de água, serviu de campo de futebol para eles... um bom jogo. Mais interessante foi a alegria com que viviam a vinda da chuva. Pensava para mim: "Eles estão contentes, mas outros, como estarão...".
O tempo surge, a chuva cai, é tempo que urge, que bem vai.
na Paz de Cristo Crucificado.
Pedro Barros
terça-feira, fevereiro 20, 2007
O mundo das bombas de abastecimento.
O mundo das bombas de abastecimento.
Todos nós sabemos que Angola é bem rica
A roda dos meninos!
A roda dos meninos!
Numa noite escura, na estrada de terra, passava. Estava a chegar à Casa Magone (dos meninos de risco), no bairro do Mota. Fui visitá-los. Ia cumprimentando todos, mesmo sem saber o nome de todos. A curiosidade invadiu as mentes de alguns, e em breves minutos, ali se fez uma roda. Uma roda de perguntas, que nem conseguia dar vazão a todas as questões e pedidos: “Troca de pele comigo./Leva-me na tua mala./As coisas lá no Portugal são melhores que aqui?/ Lá também existem bandidos?/E bairros como este, há?/ Gostas de Angola?/Porque não ficas aqui connosco?/Já estiveste alguma vez com o Mantorras?E o Simão?...”; e aí continuaram. Todos olhavam expectantes à espera da(s) minha(s) resposta(s). Acima de tudo quis que eles percebessem a valorizar as suas raízes… Aquele bocadinho de conversa fez-me sentir que tenho muito mais para fazer ainda por cá, eles precisam de ser escutados e precisam de alguém que os apoie, que os auxilie, e acima de tudo, que os amem, como se de filhos se tratassem. Algumas vezes, a rua não é fruto de liberdade, mas da procura de algo que podem não ter em casa, tal como um dos meninos dizia:”a minha mãe batia-me muito…”. Esta procura, muitos vêm o refúgio na rua. Daí partirem à descoberta de mundos banais, mundanos e perigosos.
sábado, fevereiro 10, 2007
Uma caminhada de amor
Há coisa que não dispenso quando me desloco por cá [Luanda], uma boa caminhada. Foi o que fiz hoje [5 de Fev.], uma invasão na terra poeirenta desde o bairro da Lixeira até ao bairro do Mota.
Caminhando sobre este sol arrasador e clima abafado, mas ultrapassando isso, fui sempre com um sorriso na cara. Aproveitei para cumprimentar mamãs e papás (que ainda não conhecia, pois esse caminho não faz parte das minhas andanças), sorrir com as crianças e para elas ( cumprimentam com uma palavra tão singela de quem não lhes quer fazer mal nenhum: “Amigo?”).
É um caminho cheio de altos e baixos, com buracos fundos e zonas planas, contendo lixo tanto do lado esquerdo como direito… Que importará isto?
São muitos os que fazem a sua vida durante o dia fora de casa, ou melhor, junto à porta de casa. É uma imensidão de pessoas, jovens e crianças. Uns jogam futebol; outros enconstam-se à parede apanhando a pouca sombra que têm; outros com as suas barraquinhas vendem principalmente gasosa, cerveja,… É o refúgio para alimentar quem vive no lar.
Todos dizem ser perigoso andar sozinho pelo bairro, e é verdade, mas, se vivermos todos com medo, nunca avançaremos na confiança de Deus. Eu caminho na confiança e, quero mostrar como a vivo. Afinal, acima de tudo, sou testemunho de
[9 de Fev.]
Depois de almoçar na Delegação Salesiana, onde trabalho, vim até casa, na paróquia. Tomei um banho de água fria para suportar a caminhada que ia fazer. Ia trabalhar para o bairro da Lixeira. No entanto, ainda exitei em apanhar o Candongueiro ou ir a pé, e levei dinheiro de reserva caso mudasse de ideias pelo caminho. Mas fui, fui… cheguei ao Mota sem problemas, já bem transpirado. Aí, cumprimentei os meninos da casa Magone e da Mamã Margarida. Disse-lhes que depois passaria à noite, com mais calma. Tinha de estar às 14h00 na Lixeira e já ia um pouco atrasado. Fui penetrando nos bairros, e quase na saída do Mota, sou abordado por uma rapariga que eu já tinha conhecido em Agosto, e ela disse o meu nome e tudo. Muito simpática, e ali estive a falar um pouco com ela. Tenho que arranjar tempo para estar com as pessoas… e não apenas estar fechado num local. É, também, por isso que gosto destas caminhadas.
Passando o Estádio do Progresso, ainda em construção [e já lá vai muito tempo], um rapaz diz-me: “tem que usar chapéu, este calor faz mal”. Impressionou-me a sua preocupação, e a sua chamada de atenção. Um pouco mais à frente, olho para um grupo de rapazes que sobre uma sombrita também me olham fixamente. Dou mais alguns passos, e eles assobiam e chamam-me ”branco”. Eu começo a falar com eles, interpelando-os se estava tudo fixe, dizendo que sim; depois, pedem-me dinheiro para gasosa, onde lhes disse negativamente que não tinha… apalpei os bolsos e tudo. Quando ando sozinho, vou sempre limpinho de tudo, dinheiro, chaves, telemóvel... Mas, depois respondi-lhes que se tivesse não me importava de tomar uma com eles. Ficando por aqui, avancei, e quase chegando ao destino, estavam três rapazes conversando e disse-lhes um olá, e retorquiram “vais ao Dom Bosco?” (apelidam o local dos salesianos na Lixeira de Dom Bosco). Disse que sim. Perguntaram também se vinha de São Paulo, e ao dizer-lhes que sim, disseram “a pé?”(cara de espanto). Apresentei-me e eles também. De seguida, fui ao CEFAS (Centro de Saúde), onde trabalha a Irmã Donária (Ir. Sacramentinas). Fui ao gabinete dela, e estava com uma cara muito pálida, de cansaço e magrinha. Questionando-a, ela disse, que estava com Paludismo e Febre Tifóide. Espero que ela melhore. Por fim, cheguei ao Dom Bosco, feito em água.
Podia dizer muito mais, mas queria reflectir nos acontecimentos desta caminhada, uma caminhada de amor. Os caminhos de Deus são infinitos, assim como as suas provações.
Pode-se ler, escutar, , mas nós, como seres únicos, também vivemos na unicidade de cada um. Eu sinto, os outros sentem, mas nunca a causa-efeito será a mesma.
Ω
na paz de
Pedro Barros
quarta-feira, janeiro 31, 2007
De novo.
Olá a todos!
Voltei a Angola, à cidade de Luanda, onde permaneço a fazer o meu estágio e a dedicar-me ao humilde povo que encontro.
Passarei a publicar aqui algumas coisas e episódios que vou encontrando nesta missão que Deus me confiou.
Abraço Grande!
Tá a koiar.
Pedro Barros
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